Mostrando postagens com marcador jardim. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador jardim. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Uma pedrinha no jardim



A plaquinha do jardim diz muito sobre como esses meninos e meninas percebem o mundo. Seu jeito displicente, às vezes no modo de andar, de sentar ou de falar, esconde um modo surpreendente de ver as coisas ao redor. O que seria tirar sonhos da cartola? Imagem que reúne no gesto do mágico o poder de fazer muito mais, talvez o impossível. Quem se não o poeta, esse mágico que troca coelhos por sonhos, a ensinar a gente que há sempre neste jardim palavras como lagartas se espreguiçando ao sol, comendo o verde de tudo para se transformar em semente de flor? 

Nossos meninos e meninas, logo ao final desses encontros entre as flores, disseram na sua simplicidade muita coisa bacana, como as que estão gravadas logo aqui embaixo... Não contei pra eles, mas adubei nosso jardim com essa espontaneidade toda. Por isso tem tanta mudinha nascendo linda por lá. É só espiar.

A Poliana J. S., da Escola Luiz Jacob, gostou bastante de tudo e confessou que "antes de participar deste projeto, achava as poesias meio sem sentido, mas depois das explicações das professoras, passei a apreciar e interpretá-las diferente! Também gostei muito da oficina de biologia, acho que podia ter mais no projeto, são bem interessantes... Eu acho que esse projeto deve continuar e cada ano se aprofundar mais...afinal a poesia pode melhorar muito a vida dos adolescentes. Ela ajuda a sair um pouco da rotina! Obrigada professoras por todas as aulas...vou levar comigo para todo sempre o que aprendi!".

A Poliana falou da oficina de biologia... na verdade, o que a gente fez foi mostrar para essa garotada um pouquinho da natureza das flores e das plantas, que cuidados a gente deve ter com elas, como plantá-las e como respeitar o seu ciclo de vida. Como tudo na vida, não é? Um verso não se faz assim sem cuidado, como uma flor não vinga sem atenção.

As palavras estão aí pra servirem a gente, mas saber como cuidar delas no canteiro da nossa linguagem e do nosso pensamento faz uma enorme diferença. Podemos dizer coisas impactantes sobre a vida, como, por exemplo, afirmar que no meio do caminho tinha uma pedra e fazer dessa pedra o grão mais duro e mais difícil, capaz de interromper até o verso... Ah! todo mundo já sabe que Carlos Drummond de Andrade era também um jardineiro muito sabido... "No meio do caminho" foi a primeira lição da pedra que nossos meninos e meninas tiveram quando pisaram o jardim de poesia...


O jardim abre as portas

Um desejo tem de ter pés no chão (é um desejo de Famas... Cortázar explica isso melhor que Freud...), e assim foi logo tratando de fazer tudo direitinho conforme o CONVÊNIO SICONV Nº 703517/2009 – MINC/FNC e ao Edital nº 01/2009 do Programa de Apoio à Cultura em Interface a Extensão Universitária do Estado de São Paulo – 2009. Sem esse convênio e apoio e verba não seria possível levar adiante uma ideia tão legal.

A ideia era semear leitores, ou, em outras palavras, fazer germinar um leitor em cada menino ou menina que caminhasse pelo jardim de palavras que construímos com bastante carinho e seriedade. Só com amor as coisas não vingam. Há necessidade de muita razão para colocar as colunas desse jardim de pé, caso contrário elas não sustentam o pergolado de palavras e finas imagens que tínhamos projetado.

Então, conversando com professores bem antenados com a ideia, combinamos de atender a cinco escolas de Ensino Fundamental do Município de São José do Rio Preto, que é uma cidade muito importante na região Noroeste do Estado de São Paulo.

As escolas eram: Escola Municipal Prof. Darcy Ribeiro; Escola Municipal Prof. Luiz Jacob; Escola Municipal Prof. Michel Pedro Sawaya; Escola Municipal Paul Harris Percy. Os meninos e as meninas que cursavam o 9° ano começaram a participar dos encontros. No início ficaram meio tímidos, riam muito, conversavam bastante. Aquelas flores esquisitas assim... os sons que faziam... as rimas internas... tudo soava como um jogo. Um jogo cujas regras todo mundo foi aprendendo aos poucos.




Como tudo começou

Era uma vez um desejo. Nasceu grande e faminto mas muito desengonçado. Suas pernas tortas e seu olhar arregalado para o mundo dava-lhe um ar de sonhador que apenas lhe concedia o direito de ter um passaporte para a Lua. Era um desejo adolescente, mas bastante singular. Passava os dias pensando em como seria bom andar com suas próprias pernas em meio a uma floresta de signos, onde as cores, os perfumes, os sons, as formas do mundo enfim, todas juntas, se corresponderiam, trocariam entre si sensações e pensamentos.

E esse desejo foi crescendo e crescendo, aprendeu a ler e devorou todos os livros. Recortou todos os versos que achava inteligentes e fez um jardim. Começou a regar os brotinhos que despontaram, como sílabas toantes, olhando à-toa a luz que de vez em quando entrava nesse espaço que ia ficando cada dia mais bonito. E um dia, após o almoço, descansando numa estrofe prontinha, teve a grande ideia! Esse desejo sabido e experiente resolveu abrir as portas do seu jardim para os meninos e as meninas que rondavam curiosos aquelas flores esquisitas.




Foi assim que tudo começou: de um desejo que cismou em continuar sonhando, brotou um jardim de poesia! A Susanna e o Sérgio levaram adiante essa ideia e conversaram com um lugar bacana, o CICC, um centro de ciência e cultura bem legal e moderno, que também vive sonhando com as estrelas a cada vez que o seu planetário abre as portas para as crianças e para os adultos viajarem pelo universo. Não podia dar mais certo. Todo mundo foi conversar com a professora Telma, secretária de educação do município, e com a professora Marinês, essas duas pessoas incríveis que sabem que em Educação toda ousadia é pouca. Pronto! O desejo estava sendo realizado!

A UNESP, mais o CICC e mais a Secretaria de Educação do Município de São José do Rio Preto se uniram para dar conta de um projeto muito legal, que teve apoio importante e fundamental do Ministério da Cultura e da PROEXT-SP.